
A India tem vindo a apagar muitas das ideias que, erradamente, tinhamos. Suja, mal cheirosa e totalmente caótica são algumas destas. Até agora muito poucas foram as vezes que vimos sujidade e sentimos mau cheiros. Não mais do que sentimos em Lisboa em certas entradas de metro e locais menos bem tratados da nossa cidade. Quanto ao caos, trata-se sim de uma desordem organizada. Aquilo que à primeira vista é caótico não é mais do que uma sociedade regida por regras diferentes das nossas. Por exemplo, como transformar a custo zero uma estrada de duas faixas em quatro. Os indianos descobriram uma maneira, na faixa mais encostada à berma circulam os motociclos e rickshaws que se ultrapassam entre si, utilizando um toque de buzina para aviso de ultrapassagem, tipo pisca. Podem no entanto circular em paralelo até que um veiculo maior aparece, e aqui entra uma nova regra, a regra do maior, quanto maior mais prioridade tem. As outras duas faixas virtuais circulam carros e camiões, sendo que mesmo assim é possivel parar na berma para fazer alguma coisa, como rezar ou deitar o lixo fora (tal como aquelas pessoas que aí atiram fraldas de crianças janela fora na autoestrada, que eu já vi). Outro pormenor interessante é que todos os carros sem excepção circulam com os espelhos laterais encolhidos, afinal de contas só servem para ocupar espaço, quem vem atrás apita se for passar. Os camiões têm pintado “Please Horn” na parte traseira, ou seja, pedem para que apitemos o que é simpático tendo em conta que qualquer buzina aqui tem o agradavel tom de uma agulha de tricot espetada no ouvido.

Mais uma regra, ao aproximar de uma estrada principal quem não tem prioridade deve sempre avançar sem qualquer tipo de hesitação, quem vem na estrada principal trata de se desviar ou de abrandar, pois já sabe que o outro carro vai entrar, assim não há duvidas nem daquelas hesitações estupidas que dão origem a tantos acidentes por esse Portugal fora. Nada como simplificar, Indian style.
Desta vez voámos 800 Kms para sul, de Goa para a cidade de Cochin. Voámos com a companhia indiana Kingfisher e só temos que dizer bem, as hospedeiras muito simpáticas e o avião novinho em folha. Três horas e três paragens depois (para entrarem e sairem passageiros ) chegámos a Cochin. Composta por três ilhas principais, a última e mais pequena Forte Cochin. Este era o bastião Português destas paragens, na mesma as casas de arquitectura destinta e tudo incrivelmente limpo e organizado. O sul da india é fervorosamente comercial e muito organizado, dentro do indian style lá está.
Na guest house onde estamos, o dono por detrás da sua secretaria e de telefone em punho funciona como um verdadeiro faz e arranja tudo. Já conseguimos organizar os nossos proximos dias e trocar dinheiro sem sairmos da cadeira.
Nesta zona da India toda a gente deixa os sapatos à porta de casa e das lojas, sendo que os nossos neste momento estão lá fora.
Isto obriga a que o chão esteja sempre impecavelmente limpo e fresco, habitualmente em pedra marmore ou granito polido. O calor aqui transforma-nos em melaço, a humidade é muito alta e os mosquitos até voam e mordem de dia, à noite comem-nos vivos.
Na ponta da ilha, milenares redes de pesca trazidas da China ainda hoje servem de sustento a algumas familias, já as tinhamos visto no Vietname por isso devem mesmo vir daquelas paragens.
Ontem ao jantar encontramos um grupo de seis portugueses que andavam a viajar pelo sul da India, entre eles um casal com três filhos (que tinham ficado em casa) de dois, quatro e seis anos. Foram os únicos portugueses que encontramos e logo seis de uma vez. Gostava de um dia destes arrastar uns quantos de vocês para estas nossas viagens, tenho a certeza que iam gostar e nós também.
Nos próximos dias vamos fugir do calor e subir até aos mil e quinhentos metros onde se encontram as plantações de chá, visitar um centro de treino para elefantes e dormir num parque natural onde habitam cerca de 1000 elefantes selvagens e varias dezenas de tigres, sendo quase certo que não os vamos ver, mas quem sabe. Ficaremos um dia e uma noite num barco casa com cozinheiro e piloto privativo ao longo da extensa rede de canais de Kerala. Esta viagem de barco vem na lista das 10 coisas a fazer antes de morrer dos conhecidos guias Lonely Planet.

Acabámos de cozinhar uma fabulosa refeição, isto porque fizemos um curso de cozinha “Cook and Eat” de pratos do sul da India. Uma maravilha, durou cerca de hora e meia e depois foi só comer. Temos as receitas todas escritas, no fim aqui vai uma ou outra foto.
Uhmm.....
Para aqueles que perguntam se as nossas barriguitas têm aguentado, a resposta é, muito bem, tão bem que até cresceram.. tem sido uma perdição.
Até breve e mais uma vez obrigado pelos comentarios temos lido todos com muito entusiasmo.
Prometemos colocar mais fotos nossas, beijos.

5 comentários:
Pois sim, a comerem quatro peixes desse tamanho por cada refeição ... fora as lulas e as flores (hihihi) nem sei como as barriguitas ainda não explodiram !!!
Abreijos do Pai Zé Maria
Tou a adorar este blog.
Na vossa próxima viagem colo-me a vocês.
Pediram as receitas em versão Bimbi? eheh
Beijos da vossa fiel seguidora :D
Uhmmmm... até eu que não aprecio comida indiana estou com "água na boca".
Tenham um óptimo fim-de-semana e continuem a dar notícias.
Beijo grande,
Rita Aparício
mt bom
arrastarem-me para viajar não é nada difícil … as que fiz com vocês foram as sítios inesquecíveis e claro com a melhor companhia.
quem sabe numa próxima, bjs e continuem a deixar pegadas bem marcadas.
SRoutar
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