








Por isso mesmo, até breve!
Helder e Pinta







Situado a uma hora de Cochin, uma extensa rede de canais tornaram esta zona famosa não só pela produção de arroz assim como a sua beleza.
Esta rede de canais de agua doce são alimentados pelas aguas do lago Vembanad e extendem-se por varias dezenas de quilómetros para norte ligando-se a Cochin cidade.
Viemos aqui para passar um dia e uma noite a bordo de um barco casa navegando pelos canais e observar a vida nas margens. Supostamente é uma das dez das coisas a fazer antes de morrer, nós diriamos que há varias centenas de milhar de OUTRAS coisas a fazer antes de morrer, sem duvida alguma. É realmente um passeio muito interessante com paisagens muito bonitas, no entanto é muito mais barato e interessante fazer este passeio durante o dia e depois dormir num hotel. A comida servida a bordo é boa, portanto não é por aí, o barco tem todas as comodidades, quarto com wc privativo, televisão na sala com DVD e sistema de som (coisas que nunca usámos) no entanto quando a noite chega há uma invasão tal de insectos voadores e rastejantes que se torna impossivel estar na sala sequer, dada esta não ter janelas.
O serão foi passado a matar baratas gigantes para que a Pinta pudesse descer de cima da cadeira. Os indianos da tripulação lá ajudaram, com um ar de estranhesa, a procurar as baratas. Meia hora depois e devido ao meu esforço, estavamos a ganhar 3-0. Isto até termos desistido de estar na sala e irmos para o quarto, onde com as janelas fechadas ( as baratas vinham lá de fora) e uma maldita ruidosa ventoinha tentamos dormir sem grande sucesso. Digamos que não foi uma noite muito bem passada, a água do duche também não era muito recomendável e a sua temperatura não aliviava o calor que se fazia sentir.
Com o nascer do sol veio a calma, abrir as janelas e deixar o ar fresco da manhã entrar, sem dúvida a melhor hora do dia. De pequeno almoço tomado o barco regressou ao cais e nós lá fomos de rickshaw procurar um autocarro que nos levasse a Forte Cochin. Levamos uma hora e foi giro andar num autocarro da empresa estatal, nao tem janelas e ultrapassam tudo e todos, mesmo quando nao podem..
Até breve,
Helder e Pinta
Seis da manhã, Simon, o motorista de taxi espera-nos. Vai-nos acompanhar nestes proximos quatro dias pelas terras altas de Kerala. Munar, Periyar e finalmente pelos Backwaters. Vamos sair deste calor peganhento e subir até aos 1500 metros de altitude onde nos espera, chá e tempo fresco. O nosso taxi é um carro estilo antigo, anos sessenta, no entanto trata-se de uma réplica usada frequentemente para taxi e pouco mais, e tenho-vos a dizer que até é confortavel.
Uma hora depois da saída de Cochin paragem naquele que foi o momento alto do dia, um centro de treino de elefantes, mais concretamente o banho dos elefantes num rio vizinho. O paronama não podia ser mais perfeito, um leito de rio com muito pouco caudal, montanhas ao fundo e floresta a meio pano.
O ritual do banho tornasse necessário devido ao calor intenso, ocorrendo sempre ao inicio e fim do dia. Os elefantes, grandes e pequenos foram chegando com os seus tratadores, e a pouco e pouco foram-se dispersando. A lavagem do elefante é feita com a casca de um coco para eliminar a pele morta, pudemos com muito agrado participar na lavagem de uma fêmea que pacientemente estava deitada. A pele é dura e rugosa, os pêlos são grossos e mais parecem os de uma vassoura.Tenho-vos a dizer que são animais impressionantes e foi verdadeiramente fantástico poder ter estado ali a tocar e ver de tão perto estes magnificos seres.
De sorriso nos lábios lá fomos nós para Munar, três horas e oitenta quilometros depois chegamos ás terras do chá. Situada num vale rodeado por plantações de chá, Munar é uma cidade pequena e suja e sem interesse algum.
Partimos de imediato para uma rápida visita ao museu do chá e uma pequena unidade fabril, onde o processo de selecção e produção dos vários tipos de chá é feita. O guia ia explicando as várias fazes, no seu melhor e incompreensivel sotaque indiano, tornou a tarefa de o compreender impossivel. Um dia hão-de perceber que, falar com a língua colada ao céu da boca torna o sotaque imposível de perceber. À saída do museu, uma simples balança fez o furor entre as visitantes presentes, alinhadas esperavam a sua vez de, com um sorrisinho, se pesarem. E quando digo todas as mulheres incluo obviamente a Pinta que, mal entramos no museu me disse que à saída se ia pesar. Parece que todas as mulheres do grupo tiveram a mesma ideia... Mulheres....
Dia seguinte, outras pesadas quatro horas de viagem nos esperavam, e apenas para fazer 100 Kms. O caminho todo, curva atrás de curva, lá chegamos a Periyar.
À noite, pudemos ver uma exibição de uma arte marcial ancestral Kalarippayat, seguida de uma colorida representação de uma peça na antiga tradição Hindu KathaKali, onde os actores são pintados de uma exuberante.
Partindo do principio que o tigre é impossivel de ver, partimos à descoberta do parque com a ajuda de um guia numa caminhada de três horas. Javalis, macacos e por fim os tão ambicionados elefantes selvagens. Embora à distância e por razões de segurança foi um verdadeiro deleite ver estes animais no seu habitat natural e sobretudo livres. Pela tarde, um passeio de barco pelo lago, onde por acaso encontramos mais dois portugueses, que terminada a faculdade, vieram passar um mês a viajar pela India. O passeio provou ser bem mais interessante do que à partida se esperava, realizado num barco de dois pisos cheios de indianos agitados as expectativas eram baixas. E desta vez vimos de tudo (excepto tigres), bisontes, veados e imensos e diversos passaros estavam junto ao lago, e até vimos ao longe três elefantes. Valeu a pena, sem dúvida todas as estradas, as curvas e os buracos onde passámos. As imagens do banho dos elefantes não nos saem da cabeça. Amanhã vamos voltar ao calor e passaremos o dia e a noite num barco casa pelo imensos canais de Alleppey, vamos ver como corre. Até breve,
Helder e Pinta

A India tem vindo a apagar muitas das ideias que, erradamente, tinhamos. Suja, mal cheirosa e totalmente caótica são algumas destas. Até agora muito poucas foram as vezes que vimos sujidade e sentimos mau cheiros. Não mais do que sentimos em Lisboa em certas entradas de metro e locais menos bem tratados da nossa cidade. Quanto ao caos, trata-se sim de uma desordem organizada. Aquilo que à primeira vista é caótico não é mais do que uma sociedade regida por regras diferentes das nossas. Por exemplo, como transformar a custo zero uma estrada de duas faixas em quatro. Os indianos descobriram uma maneira, na faixa mais encostada à berma circulam os motociclos e rickshaws que se ultrapassam entre si, utilizando um toque de buzina para aviso de ultrapassagem, tipo pisca. Podem no entanto circular em paralelo até que um veiculo maior aparece, e aqui entra uma nova regra, a regra do maior, quanto maior mais prioridade tem. As outras duas faixas virtuais circulam carros e camiões, sendo que mesmo assim é possivel parar na berma para fazer alguma coisa, como rezar ou deitar o lixo fora (tal como aquelas pessoas que aí atiram fraldas de crianças janela fora na autoestrada, que eu já vi). Outro pormenor interessante é que todos os carros sem excepção circulam com os espelhos laterais encolhidos, afinal de contas só servem para ocupar espaço, quem vem atrás apita se for passar. Os camiões têm pintado “Please Horn” na parte traseira, ou seja, pedem para que apitemos o que é simpático tendo em conta que qualquer buzina aqui tem o agradavel tom de uma agulha de tricot espetada no ouvido.

Mais uma regra, ao aproximar de uma estrada principal quem não tem prioridade deve sempre avançar sem qualquer tipo de hesitação, quem vem na estrada principal trata de se desviar ou de abrandar, pois já sabe que o outro carro vai entrar, assim não há duvidas nem daquelas hesitações estupidas que dão origem a tantos acidentes por esse Portugal fora. Nada como simplificar, Indian style.
Desta vez voámos 800 Kms para sul, de Goa para a cidade de Cochin. Voámos com a companhia indiana Kingfisher e só temos que dizer bem, as hospedeiras muito simpáticas e o avião novinho em folha. Três horas e três paragens depois (para entrarem e sairem passageiros ) chegámos a Cochin. Composta por três ilhas principais, a última e mais pequena Forte Cochin. Este era o bastião Português destas paragens, na mesma as casas de arquitectura destinta e tudo incrivelmente limpo e organizado. O sul da india é fervorosamente comercial e muito organizado, dentro do indian style lá está.
Na guest house onde estamos, o dono por detrás da sua secretaria e de telefone em punho funciona como um verdadeiro faz e arranja tudo. Já conseguimos organizar os nossos proximos dias e trocar dinheiro sem sairmos da cadeira.
Nesta zona da India toda a gente deixa os sapatos à porta de casa e das lojas, sendo que os nossos neste momento estão lá fora.
Isto obriga a que o chão esteja sempre impecavelmente limpo e fresco, habitualmente em pedra marmore ou granito polido. O calor aqui transforma-nos em melaço, a humidade é muito alta e os mosquitos até voam e mordem de dia, à noite comem-nos vivos.
Na ponta da ilha, milenares redes de pesca trazidas da China ainda hoje servem de sustento a algumas familias, já as tinhamos visto no Vietname por isso devem mesmo vir daquelas paragens.
Ontem ao jantar encontramos um grupo de seis portugueses que andavam a viajar pelo sul da India, entre eles um casal com três filhos (que tinham ficado em casa) de dois, quatro e seis anos. Foram os únicos portugueses que encontramos e logo seis de uma vez. Gostava de um dia destes arrastar uns quantos de vocês para estas nossas viagens, tenho a certeza que iam gostar e nós também.
Nos próximos dias vamos fugir do calor e subir até aos mil e quinhentos metros onde se encontram as plantações de chá, visitar um centro de treino para elefantes e dormir num parque natural onde habitam cerca de 1000 elefantes selvagens e varias dezenas de tigres, sendo quase certo que não os vamos ver, mas quem sabe. Ficaremos um dia e uma noite num barco casa com cozinheiro e piloto privativo ao longo da extensa rede de canais de Kerala. Esta viagem de barco vem na lista das 10 coisas a fazer antes de morrer dos conhecidos guias Lonely Planet.

Acabámos de cozinhar uma fabulosa refeição, isto porque fizemos um curso de cozinha “Cook and Eat” de pratos do sul da India. Uma maravilha, durou cerca de hora e meia e depois foi só comer. Temos as receitas todas escritas, no fim aqui vai uma ou outra foto.
Uhmm.....
Para aqueles que perguntam se as nossas barriguitas têm aguentado, a resposta é, muito bem, tão bem que até cresceram.. tem sido uma perdição.
Até breve e mais uma vez obrigado pelos comentarios temos lido todos com muito entusiasmo.
Prometemos colocar mais fotos nossas, beijos.

Se há lugar que demonstra claramente o que o desenvolvimento do turismo em Goa tem de negativo, a praia de Palolem é o mais perfeito exemplo.
Uma baía de longo areal, coqueiros debruçados sem fim fazem parte do imaginário de paraíso de qualquer um. Se lhe juntarmos um sem numero de restaurantes de praia que, sem interrupções, preenchem caoticamente os dois kilometros de areal, tornam o paraíso num pesadelo.
Passamos aqui o primeiro dia da nossa escapadinha balnear, prometemos para nunca mais, estava na altura de alugar uma scooter e procurar outras paragens. Uma conversa de cinco minutos com o recepcionista da guest house onde estamos a ficar foi suficiente para ter uma mota por 3€ por dia e as indicações para chegar a varias praias. As duas primeiras provaram ser apenas uma extensão de Palolem e logo apontamos para a praia mais distante.
Jackpot! A 10kms a praia de Agonda surgia como uma linha recta de 3 kms de areia limpa, vazia e não desenvolvida banhada por aguas a 30ºC. Na ponta esquerda rochedos colossais cinzentos e arredondados demarcam o fim da praia.Entre mergulhos alguém pergunta “Where are you from?”.
Peter e a sua mulher, um simpático casal sueco, estão aqui de férias por uma semana, alugam uma das pequenas casas com varanda sobre a praia por apenas 12€ dia e são recorrentes. Nos ultimos cinco anos já cá vieram três vezes, e sempre para esta praia. Ainda dentro de agua, a conversa fluia e uma hora passou sem que se desse conta.
O Peter fala-nos de uma praia a 15 minutos de distância e cujo acesso se faz por uma estrada de terra meia escondida entre as arvores. Decidimos explora-la no dia seguinte.
Entretanto, a 500 metros da costa, um grupo de golfinhos não escapa ao olho do Peter habituados a todas as madrugadas os ir observar da ponta da praia, onde uma baia escondida lhes serve de abrigo. Logo ali combinamos que, no dia seguinte pelas seis da manhã estariamos lá para vermos os golfinhos a sair da baía.
Eram seis da manhã e em cima da Scooter, a caminho da praia dos Golfinhos, debatia-mo-nos com os muitos mosquitos que esbarravam na nossa cara. 
Pelo caminho, passamos por um vendedor de “pau” ( pão muito parecido com o nosso pão e que só existe aqui em Goa). Levamos quatro, ainda quentes, destes fantásticos pães que mais tarde nos serviriam de pequeno almoço no topo da montanha de pedras colossias.
Chegados, fomos a tempo de ver umas quantas barbatanas a caminho de mar alto.
Meia hora mais tarde haviam de regressar e passavam a cem metros da baía acompanhando um barco de pesca.
Numa das falésias, nidifica um casal de aguias pesqueiras, com a sua plumagem branca e vôo gracioso.
Já na companhia do Peter, regressamos à praia e dirigimo-nos para a praia de Cola, a 15 minutos. No fim de uma estrada poeirenta, lá estava ela, no fundo da falésia entre os coqueiros, um mar azul que nos esperava.
As nossas pegadas foram as primeiras e unicas na areia em direcção ao mar, a 200 metros um pescador pescava à cana nas rochas da maré vazia. 
Tinhamos a praia práticamente só para nós. A sombra dos coqueiros estendia-se por boa parte da estreita língua de areia e providenciava uma sombra refrescante.
Mais pequena e estreia era sem duvida a mais bonita. 
Por aqui ficamos até a fome apertar, o regresso foi feito de barriga vazia e de alma cheia. Na estrada, um bando de pequenos macacos de cauda longa comia fruta na berma da estrada. Foi a cereja no topo do bolo.
Goa, cozinha, cultura e praia, são apenas alguns dos tesouros que vale a pena vir aqui viver bem de perto.
Helder e Pinta

Ultimo dia em Goa cidade, amanhã viajaremos de taxi 80 kms para sul, mais concretamente Palólem, junto à fronteira com o estado indiano que segue a costa do mar arábico.
Começamos o dia pela tradicional volta pelo mercado de peixe e de vegetais. Habitantes de toda a cidade de Panjin confluem para aqui venderem e comprarem de tudo.
No mercado um senhor dirigiu-se a nós a fazer as perguntas habituais e a dizer que quando os Portugueses estavam em Goa a vida era boa, havia paz e segurança, trabalho para todos etc. Inclusivé pediu que lhe enviassemos selos de portugal para a sua colecção, abaixo a foto do que ele escreveu, se quiserem enviar selos estejam à vontade.
Circular pela cidade de mota com os cabelos ao vento ( ou careca ao vento no meu caso ) é algo de muito bom, os dias de calor sucedem-se e mesmo na hora que o calor mais aperta, andar de mota é sempre refrescante. Aqui, apenas fora da cidade é obrigatório usar capacete, mas apenas o condutor, o pendura não tem de usar nunca.
Creio que não vos tinha ainda falado do deporto nacional numero 1, o Cricket. Num dos lugares em que ficamos tinhamos nada mais nada menos que 6 canais estilo sport tv mas apenas dedicados a Cricket. Para quem não conheçe o desporto é uma espécie de baseball com outras regras. Não se trata de um desporto de elite, em Mumbai vimos um parque com varias centenas metros em que em cima uns dos outros toda a gente sem excepção estava a jogar. Na praia inclusivelmente havia uns tipos a jogarem com um ramo de palmeira a servir de taco. Nas ruas, os miudos jogam cricket, aqui em Goa, ao longo da praia, um sem numero de campos com pessoas fardadas a rigor (todos de branco) jogavam afincadamente. Cricket is HUGE!
O “No Spitting” tem uma razão de ser, tanto indianos como indianas mascam continuamente uma folha com um concentrado de lima, isto para além de os manter continuamente com um buzz, torna as suas bocas completamente vermelhas e claro induz o nojento hábito de cuspir compulsivamente. Outro hábito menos agradável é o arrotar, o Nuno já tinha tido o previlégio de trabalhar com indianos menos ocidentalizados que tinham o péssimo à vontade de arrotar seja em que condições for. Aqui infelizmente já tivemos a oportunidade de mais do que uma vez presenciar tal acto, e nem as mulheres escapam, é algo sonoramente transversal e culturalmente aceite como quem espirra. Não deixa de ser estranho, assim como para eles um homem falar a uma mulher não é aceite. Dois casais encontram-se na rua e elas falam entre si e os homens entre si também. E a probabilidade de os dois homens sairem de mão dada ou abraçados é muito grande pois é muito vulgar e normal ver homens abraçados ou a andar de mão dada. Há sem dúvida valores e costumes que nem o Império Português e Inglês conseguiram apagar.
Hoje fomos visitar uma plantação de especiarias, onde por 300 rupias (5€) se pode ter uma visita guiada e almoçar fantásticamente bem. De facto não é assim tão barato comparado com o que a India nos tem habituado, mas mesmo assim vale a pena. O nosso guia Mário, descende de pai português ( que trabalhava em Carcavelos) e mãe Goesa, fez as honras da casa, muitas das vezes em português, embora não tivesse frequentado a escola portuguesa. Coentros selvagens, noz moscada, piri piri, tamarindo, caju, gengibre, baunilha, etc.. numa plantação com mais de 100 hectares! Existem outras na área, inclusive podemos tomar banho com elefantes ou fazer um passeio de 100 metros ás costas de um destes magnificos animais. Coisas para turistas...
Estas plantações ficam a 40 kms de Panaji e pelo caminho visitamos a antiga Goa com as suas catedrais e basilicas onde ainda jaz São Francisco de Xavier. O seu corpo inalterado desde 1600 é mostrado aos crentes a cada10 anos, sendo o próximo 2014. Antiga e nova Goa (Panaji) estão repletas de fachadas portuguesas e nomes de lojas em português.
São uma distante memória da nossa presença aqui, embora exista ainda coisas bem lusófonas rapidamente se vão extinguir sob o peso da lingua e cultura inglesa. Sabiam que grande parte das malaguetas existentes actualmente na cozinha Indiana em geral foram trazidas pelos Portugueses da américa do sul e central nos 400 e muitos anos da nossa ocupação. Se a comida indiana é picante deve-se somente a nós. 

Sentados na esplanada de pés enterrados na areia e olhos no horizonte azul de um mar quente que chamava por nós, comemos o nosso pequeno almoço habitual, torradas com omolete. A inércia de partir foi apenas derrotada pelo som do rickshaw que se aproximava para nos levar à estação de comboios de Kudal. Uma hora de pó depois lá estavamos. Aqui a distância mede-se em horas e não em quilómetros.
Os indianos atropelavam-se na fila dos bilhetes, sendo a ordem mantida atrás de mim. Aqui mais do que estranhos somos uma atracção quase turistica e não o contrario. Kudal é uma cidade pequena que recebe quase exclusivamente turismo indiano, daí a curiosidade geral. 

De volta a Goa, era hora de reconfortar o estomâgo, nas traseiras da Afonso Guest House, o restaurante “Viva Pamjim” instalado numa casa de traça portuguesa servia autêntica comida Goesa. Chacuti de Galinha e Caril de Camarão fizeram as delicias. Infelizmente não há fotos pois quando nos lembramos já era tarde demais, tal era a fome!
Olá a todos,

Ao largo da cidade, um forte numa ilha datado de 1664 e cujo interior foi destruido pelos ingleses. Fomos visita-lo a bordo de um “ferry”, de facto uma canoa de pesca. Neste barco seguiam casais que a título de passeio iam visitar o forte, tudo porque o shopping center estava fechado. É fácil em qualquer lado encontrar pão, pois diz-se e escreve-se “pao” sem o acento. Infelizmente, assemelha-se mais a pão de leite, em bolinhas, do que a pão na realidade. Têm-se tornado um hábito para nós respondermos ás perguntas de pessoas, que na rua dirigem-se a nós e dizem “Hello”, e de seguida “Where are you from?”. Um facto curioso é o de que aqui, quando respondemos Portugal em Inglês, ninguém percebia. Até que por engano disse Portugal em português, e toda a gente percebia pois aqui Portugal diz-se como nós dizemos. Seguramente uma parte da nossa herança aqui. As pessoas vêm falar connosco apenas pela curiosidade de saberem de onde somos e pelo simples facto de falarem connosco, sem qualquer tipo de segunda intenção.A conselho do nosso motorista de rickshaw, fomos almoçar a um restaurante de peixe, pois supostamente o peixe é fresco e muito bom. Era mesmo, interrompemos a nossa deliciosa dieta vegetariana e por boa razão. Estava optimo, e até tivemos oportunidade de filmar a cozinha enquanto faziam o nosso prato.
As pessoas são muito simpaticas e a comida muito boa, pelo menos para quem gosta de picante. Turismo também é turismo gastronómico. Bom, vamos jantar, adivinhem.... Kaju Kurma.. ehehehAmanhã iremos apanhar o comboio para Goa, duas horitas apenas.