Quinta-feira, Março 26, 2009

“Os senhores são Portugueses?”

Sentados na esplanada de pés enterrados na areia e olhos no horizonte azul de um mar quente que chamava por nós, comemos o nosso pequeno almoço habitual, torradas com omolete. A inércia de partir foi apenas derrotada pelo som do rickshaw que se aproximava para nos levar à estação de comboios de Kudal. Uma hora de pó depois lá estavamos. Aqui a distância mede-se em horas e não em quilómetros. Os indianos atropelavam-se na fila dos bilhetes, sendo a ordem mantida atrás de mim. Aqui mais do que estranhos somos uma atracção quase turistica e não o contrario. Kudal é uma cidade pequena que recebe quase exclusivamente turismo indiano, daí a curiosidade geral.
Enquanto esperavamos pelo comboio, de uma maneira geral as pessoas que estavam na estação pediam para ser fotografados, agradecendo no fim. Fantástico! Estou no paraíso.
O tempo voou, assim como as duas horas a bordo do comboio.
Igrejas imaculavelmente brancas pintam a paisagem enquanto o comboio avança a toda a velocidade rumo a sul, Goa mantém-se nos dias de hoje como a pegada Portuguesa mais vincada no sub continente indiano. Na estação, rapidamente nos colocamos a caminho da velha Goa, ainda a uma hora de distância.
Ao contrário do que se possa à partida pensar, umas férias em que a unica coisa marcada é o voo de regresso, são tudo menos stressantes. Não há horários e nada nem ninguém está à nossa espera. Relax total, se não der para fazer hoje faz-se amanhã.
Dirigimo-nos a uma estalagem cujo nome nos pareceu apelativo, Afonso Guest House. Sorte, tinham apenas um unico quarto disponivel. 1000 Rupias ( +/-14€ ). A senhora de seu nome Janete Afonso, quando a caminho do quarto nos ouviu falar em português, pergunta, para nosso espanto “Os senhores são Portugueses?” num português límpido de sotaques estranhos. Estavámos perante uma Goesa que nunca tinha ido a Portugal. O seu filho, Mestrado em Língua Portuguesa, foi a Lisboa durante um mês, e no entanto fala um Português imaculado. Com a sua ajuda, em cinco minutos, tinhamos à porta uma scotter alugada por 250 Rupias/dia( 4€ ) na qual nos iriamos iniciar em estradas indianas, onde para além do caos, total desrespeito por qualquer tipo de regra ainda se guia à esquerda!
Meia hora depois, lá estavamos nós rumo a uma praia a 40 quilómetros cuja atracção não era geográfica mas sim humana. Tratava-se de um dos primeiros pontos de areia indiana colonizada nos anos 60 por hyppies vindos de todo o mundo, alguns dos quais ainda por aqui andam. A feira improvisada, a fauna e a musica techno transe psicadélico colocou-nos de regresso em dez minutos. De volta a Goa, era hora de reconfortar o estomâgo, nas traseiras da Afonso Guest House, o restaurante “Viva Pamjim” instalado numa casa de traça portuguesa servia autêntica comida Goesa. Chacuti de Galinha e Caril de Camarão fizeram as delicias. Infelizmente não há fotos pois quando nos lembramos já era tarde demais, tal era a fome!
Até breve!

Helder e Pinta