A uns meros 40 Km da capital, junto à localidade de Angolares, fica a Roça de São João de Angulares. Após hora e meia, noite dentro, por estradas que mais parecem a superfície lunar, chegamos a esta roça que se pode dizer seja equiparada ao nosso turismo de habitação/rural. Esta roça prima por ser uma das poucas roças em funcionamento e cuja herança dos tempos coloniais foi conservada e é hoje um dos poucos e valiosos pólos turístico e culturais da ilha. A totalidade do mérito e destaque que esta roça tem e merece advêm do facto do seu proprietário ser o João Carlos Silva, célebre em Portugal por ser o apresentador, executante e entertainer do programa “Na roça com os tachos”. A casa principal está restaurada e é hoje uma pousada simples com uma decoração rústica embora bem agradável e acolhedora, e onde a arte do João tem destaque em todos pontos da casa.
Possui uma enorme esplanada/restaurante com uma vista privilegiada sobre a baía de Santa Cruz repleta de coqueiros e de areia vazia de gente. O hospital da roça, aqui todas as roças em tempos tiveram hospital, foi convertido em escola, atelier de pintura, escultura e música popular. Estando aberta aos filhos das pessoas que trabalham na roça assim como a quem queira utilizar o espaço.Fomos extremamente bem recebidos pelo Amílcar, gerente da pousada, dado que o João estava ausente neste dia. A casa possui no primeiro andar uma varanda em forma de L no qual se tem acesso aos quartos e de onde se pode observar toda a extensão da plantação da roça que inclui banana, cacau, café, ananás, pimenta, malagueta, etc.
À noite cobre-se a cama com o mosquiteiro, pois o calor é tanto e dado não haver ar condicionado (eu tinha dito que era rústico) tivemos que abrir as duas portas do quarto que dão para a varanda comum de modo a o ar poder circular, ah, a partir da meia noite também deixa de haver electricidade. E dormimos assim de portas abertas mas sem receio pois éramos as únicas pessoas na pousada para além do guarda. No entanto é de todo de evitar circular nestas estradas à noite pois não existe assistência em viagem e os furos são frequentes. Que diga o nosso Nissan Terrano 2 que de manhã tinha um pneu em baixo.Iremos aqui voltar para almoçar no dia 28 pois o João já aqui estará e vamos também apanhar o exemplar do livro de receitas do João que trouxe expressamente para ele mo autografar.
Seguimos caminho para a ilha das rolas, 50 km por estradas com pontes coloniais caídas e onde a alternativa passa por atravessar directamente os riachos. Ainda bem que agora temos um jeep à séria que nos dá a confiança necessária para estas “estradas”.Um beijo e um queijo,
Helder, Filipa, Sónia e Jorge

No regresso do jantar no restaurante do resorts, passa uma pessoa por nós e diz-nos: “Querem ver uma tartaruga a por ovos?! Está ali ao pé da piscina!” Nem queríamos acreditar na sorte que estávamos a ter de uma tartaruga com aproximadamente um metro de comprimento ter escolhido a praia em frente à piscina para colocar os seus ovos. Foi um dos momentos mais altos desta viagem ver aquele animal lindo realizar a sua tarefa com esforço, tapando os ovos no final, e depois partir rumo ao mar. Foi LINDO!
No que toca ao objectivo, mergulho, foi parcialmente atingido pois pude ver alguns dos espécimes grandes que habitam estas águas, como o mero e a barracuda, mas infelizmente até à data nenhum tubarão. Pode ser que amanhã tenha mais sorte com o mergulho pela manhã. 






Isto é um paraíso em que se fala português e onde as pessoas apesar de pobres vivem felizes e sem fome. Toda a gente é simpática e desejam de facto falar connosco nem que seja apenas para dizer bom dia ou boa tarde. No entanto há aqui pessoas que não têm electricidade à mais de 30 anos, desde a independência. Não admira que gostem dos portugueses, não tinham a independência mas não sentiam a falta dela, agora têm-na e sentem falta do que tinham, progresso, ordem, cuidados de saúde, estradas, empregos e oportunidades. Não deixa de ser um paraíso, deixo as fotografias falarem por si. 

Apesar disso é possível encontrar a uma dezena de metros paraísos da boa cozinha São Tomense, com peixe grelhado da melhor qualidade e com um tempero no mínimo fantástico.
Em São Tomé a cultura da batata não se dá, mas a diversidade e riqueza desta terra trouxe ao nosso prato a banana pão, frita ou cozida, sempre divina e a fruta pão que grelhada na brasa se torna num quase “miolo de pão” fofo e acabado de cozer.Na maior das simplicidades e no melhor dos requintes africanos, provamos peixe na sua maioria densos e ás lascas com os nomes de Olho grosso, peixe vermelho,.. cada um melhor que o outro…A fruta também é outra das dádivas desta ilha paraíso, a jaca, fruto grande e com interior aos gomos que sabe a ananás e chega a pesar 20 kg.
Outro fruto abundante é a manga, papaia e banana pequena, mas com um sabor único, nada tendo a ver com as bananas a que estamos habituados.Percorremos a parte Norte da ilha, com o nosso Suzuki Vitara 4x4 em busca de praias perdidas na nossa imaginação e até encontramos algumas e por estradas que não estão em nenhum mapa, talvez porque não são estradas, mas sim caminhos de cabras que o nosso Vitara supera com relativa facilidade. Assim do nada avistamos da estrada uma baia de uma água azul clara, saída da nossa imaginação onde a água quente e límpida nos acalmou o corpo dos buracos na estrada e dos off-road improvisados e sede de estar dentro de água a ver uns peixinhos coloridos que por ai andavam nos corais. Um paraíso. Continuamos para norte ao longo da costa onde no meio de aglomerado de barracas demos com o nosso restaurante referenciado “A Santola” também ele uma barraca um pouco maior do que as outras porém com um peixe grelhado com banana pão frita do melhor que comemos. A revisitar sem dúvida.De volta à cidade no nosso terceiro dia visitamos as missionárias da ONG “Leigas para o Desenvolvimento” que nos acolheram da melhor forma possível e onde trocamos ideias de como é viver em missão e ajudar os outros numa terra em que ninguém ajuda ninguém. Agendamos para mais tarde umas visitas ás suas missões de modo a podermos perceber melhor o espírito, pode ser que dê algum artigo…Nesta terra os melhores perfumes são apresentados nos piores frascos, na marginal da cidade há um antigo contentor a que foram feitas janelas e que serve de abrigo ao restaurante “O paraíso dos grelhados” com a sua esplanada e devido ao facto de não haver electricidade tem que se comer um fantástico peixe à luz de velas. Original no mínimo, em relação ás espinhas não tem problema pois os peixes aqui são tão grandes e primitivos que as postas que nos servem ( meio kilo por pessoa ) até têm ossos em vez de espinhas, o que facilita imenso com a falta de luz.O nosso Vitara deu o berro, a enbraiagem não aguentou uma subida de alguns kilómetros para uma cascata perto da cidade e começou a deitar fumo, morreu para a vida e a nossa cascata ficou adiada para o nosso regresso da ilha do príncipe. Mais uma vez, leve leve, não se passa nada… O pessoal gosta é disto..aventura..