
Apos interminaveis horas de carrinha e barco, chegamos a Mai Chau para almocar numa casa de estacas da etnia Thai. Almocamos no chao, sentados em esteiras, mas apesar da dor de costas, a comida estava fabulosa, um preludio dos dias que se seguiam.

Partimos a pe e de mochilas a's costas para uma caminhada de 2 a 3 horas ate a uma aldeia Mong, onde iamos dormir. O caminho foi sempre a subir, mas mesmo assim nao custou muito. Esta e' uma aldeia isolada num vale semi alagado e de caminhos enlameados fruto das recentes chuvas. Benditas botas!!!

Tomamos banho de balde e a casa de banho e' um buraco no chao. Apesar de isso tem parabolica e leitor de DVD!! O progresso tecnologico chega ca' mais rapido que o saneamento basico.
A cozinha cheia de fumo, uma fogueira no chao, um wok e pouco mais, e' o que e' necessario para preparar um belo jantar. Quando pensavamos que iamos passar fome, foi quando comemos melhor.


A nossa cozinheira e guia Zui (engenheira civil, recem licenciada) preparanos o jantar sem descanso apos a caminhada. A noite cai rapido e esperasse que passe rapido tambem, pois faz frio e os bichos sao muitos, para desconsolo da Pinta, exagero dela!! Apenas uns gafanhotos e umas melgas.

No segundo dia, a caminhada ja foi mais complicada. Foram cerca de 7 horas quase consecutivas a andar, por caminhos de bufalos que apesar de serem a descer muitas complicacoes trouxeram a todos nos. A lama escorrega muito e o caminho parece nao ter fim. O nosso guia Duong mente-nos constantemente acerca do tempo restante de caminhada. O desespero e' grande e a fome tambem, pois o almoco nao passou de um pao e umas frutas.


Chegados a' aldeia de etnia Thai so nos restava tomar um banho no rio local, rodeados de bufalos e de campos de arroz. Soube a pato!!!!
Dado ser uma rota recente as pessoas veem-nos como algo de verdadeiramente diferente, a ponto de se juntarem para nos virem ver. Sentimo-nos observados como os animais no Zoo. As pessoas sao inocentes e muito simpaticas. Ao inicio timidas depois curiosas, por fim havidas de saber coisas sobre nos. Acabamos a noite com a aldeia toda dentro da nossa casa, sentados no chao, a tocar viola e a cantar musicas vietnamitas. Este foi o momento alto desta viagem, a empatia foi tao grande e mutua, que nos sentimos em casa.

No terceiro dia, chovia a potes mas mesmo assim tivemos que caminhar durante 2 horas, ja que o carro nunca nos conseguiria ir buscar uma vez que nao existem estradas para carros apenas para bufalos. Os caminhos estavam enlameados e cheios de sangue-sugas que se nos agarram as' pernas e nos chupam o sangue. A Pinta e a Sonia sofreram este ataque, apesar de so terem dado contas uns km mais a' frente ja que nao se sente nada!! Tivemos que caminhar mais para alem do ponto de encontro com o carro pois havia varias derrocadas de lama e pedras brutais que impediam o acesso. Debaixo de uma chuva incessante e impiedosa, molhados ate aos ossos, foi com alegria que vimos finalmente a carrinha. Estas carrinhas sao verdadeiramente tanques de guerra, atravessamos rios e caminhos de lama onde tinhamos de sair da carrinha para que esta pudesse passar.. Isto hoje foi mais trakking underwater que outra coisa.

Com dores de costas e pernas cansados e cheios de maselas aterramos em camas verdadeiras em Hanoi e nem queriamos crer que era verdade, noites mal dormidas no chao e caminhadas de dias inteiros nao sao nada comparados com a alegria de ver a genuina felicidade estampada no rosto destas pessoas que apesar do modo simples e duro de viver sao verdadeiramente felizes. Uma licao para todos nos que tudo temos e que pouco felizes somos com isso. Amanha sera um dia livre para descansar e fazer as ultimas compras antes de regressarmos. Este e' o nosso ultimo post aqui no Vietname, irei fazer outro ja em Portugal em jeito de balanco, uma grande abraco a todos vos e ate ja.

Helder, Pinta e Sonia.
16, 17 e 18 de Setembro de 2005.